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 Carla Chambel aos 31 anos, garante estar a viver um momento de grande felicidade pessoal e profissional. Ao Vidas TV, Carla revela os sonhos para o futuro e reconhece utilizar máscaras para esconder alguma insegurança. Apaixonada pelo teatro, garante que o trabalho na televisão permitiu-lhe criar laços fortes de amizade. A actriz começou a carreira no teatro e só quase dez anos depois experimentou a televisão. Actualmente, a protagonista da novela da SIC ‘Resistirei’ já pensa em abrandar o ritmo para realizar o desejo de ser mãe.
- Vidas TV – Nos últimos dois anos tem sido presença constante na SIC. Sente que está a viver o melhor momento da sua carreira?
- Carla Chambel – Sinto que houve uma evolução no meu trabalho na SIC desde a ‘Jura’ até ao ‘Resistirei’. Tenho tido personagens mais exigentes mas sinto que ainda me estou a adaptar à linguagem televisiva, que é diferente. É uma ferramenta essencial para poder evoluir ainda mais com esta personagem. Quero arriscar tudo na ‘Júlia’ sem ter medo de nada.
- Como está a ser o seu primeiro trabalho como protagonista?
- No trabalho de produção, fazer a ‘Vera’ da ‘Vingança’ ou a ‘Júlia’ de ‘Resistirei’ não difere muito. O que sinto de diferente é uma maior visibilidade por ser uma das protagonistas da novela. Sei que tenho uma grande responsabilidade porque não quero falhar.
- Não teme um desgaste da sua imagem?
- Penso nisso, mas um actor tem de construir a sua carreira à medida que as oportunidades vão surgindo. É pelo facto de sentir que continuo a evoluir que aceitei fazer este terceiro trabalho. Sinto que ainda não estagnei. Mas é claro que me questiono. No meio dos actores, sinto que existia um preconceito de fazer televisão e ainda mais novela. Era considerado um trabalho menor. Aprendi nestes trabalhos de novela que podemos dar o nosso contributo de qualidade. É possível fazer boa ficção nacional diária com um bom elenco, com bons técnicos, e termos orgulho nisso. Mas concordo que se deva ter algum cuidado, ou seja, quando começamos a fazer demasiadas coisas no mesmo horário devemos fazer qualquer coisa para não desgastar a imagem.
- Está a tornar-se uma cara conhecida do grande público. Como lida com o assédio?
- Na maioria das vezes não me faz confusão porque quase sempre são abordagens agradáveis. É impossível responder com má cara quando me dizem que gostam do meu trabalho. O mais estranho é quando as pessoas falam de mim como se eu não existisse. Parece que sou uma peça de museu. Quase me tocam mas não falam comigo. Dizem: “Olha, esta é aquela da novela.” Parece que não existo, e isso é uma sensação estranha. Mas não as repreendo sequer. Tento ignorar.
- Fazer TV acaba por ser consequência lógica do trabalho em teatro?
- A mentalidade está a mudar, até porque o trabalho é muito escasso, principalmente no teatro. As pessoas primeiro tiveram de aceder a trabalhar na televisão para viver um bocadinho melhor. Já os actores que começaram por fazer televisão constataram que, afinal, não é uma selva. Nunca senti essa competição, esse mundo selvático em que ninguém olha por ninguém, e acabei por criar laços muito fortes. Trabalha-se 12 horas por dia, durante nove meses, e acaba por ser incontornável. Aprendi a ter gosto na mudança rápida de emoções, de roupa, de ‘décor’, de textos. É um prazer.
- Na televisão deixa transparecer a imagem de alguma fragilidade. Também é assim no dia-a-dia?
- Acho que a vida me tem ensinado a ter algumas máscaras para esconder algumas fragilidades, nomeadamente a insegurança. Dúvidas como actriz, momentos em que tenho de decidir os passos certos. Sou uma pessoa muito indecisa, e depois, para fora, transpareço alguma confiança, algum domínio da minha vida, mas essa é a minha máscara. Na maioria das vezes tenho muitas dúvidas. Mas a vida ensina-nos. Quando temos de ser pragmáticos somos, quando temos de parecer confiantes também o conseguimos. Para compor a personagem utilizei muito da minha sensibilidade do dia-a-dia.
- Que cuidados tem com a sua imagem?
- Devia haver uma formação a esse nível logo no início, uma vez que não existe muito a preocupação no teatro com a imagem. Eu própria não a tinha, porque no teatro vivemos das emoções e a imagem não é importante. A televisão ensinou-me a preocupar-me com esse lado, porque a imagem é muito importante. Temos de ter atenção a isso porque faz parte da nossa profissão.
- A nível sentimental, também vive um bom momento?
- Sim, e as duas partes contagiam-se. O bom momento pessoal confere uma boa entrega profissional. Obviamente que há dias menos bons mas tento sempre que isso não transpareça para o meu trabalho. Mesmo que esteja a atravessar um mau momento pessoal, tento usar isso para despertar os desequilíbrios nas personagens que interpreto.
- Casar faz parte dos seus planos?
- Sim, mas numa perspectiva de vida a dois.
- E isso já acontece?
- Já, com alguém que não está ligado à representação.
- Gostava de ser mãe nos tempos próximos?
- O relógio biológico começa a funcionar. Tenho 31 anos e já começo a pensar nisso. Até aqui a profissão tem sido uma prioridade, que lentamente estou a tentar equilibrar com o lado pessoal, que está a crescer e a levar-me à necessidade de ser mãe.
- Gostava de ter um filho já no próximo ano?
- Pode ser. Para já ainda não, porque ainda estou a gravar a novela, mas quem sabe? Também não gosto de prever as coisas mas é um desejo que gostava de concretizar a curto ou médio prazo.
- Prefere fazer teatro, cinema ou televisão?
- Já dei vários tipos de resposta em relação a isso. Neste momento não sei em que fase estou. São linguagens totalmente distintas e nas três consegui encontrar grandes prazeres, assim como grandes dificuldades. Quanto muito posso falar de saudades. Tenho saudades de fazer teatro, uma vez que 2007 foi o primeiro ano em que não pisei o palco, e isso tem um custo interior muito grande. Pela televisão comecei a apaixonar-me nas séries que fiz para a SIC e RTP, que me mostraram este tipo de televisão mais profundo, e o que me está a dar mais prazer agora é a velocidade com que tu mudas, que te emocionas, chateias, ris.
- Que memórias guarda da sua infância?
- Tive uma infância muito feliz. Nasci e cresci na Amadora. Primeiro passei por uma formação de escola privada, depois passei para o ensino oficial. Mas senti que tive uma formação muito feliz na primária. A minha infância ficou também marcada pelo campo, já que os meus pais tinham uma casa perto de Sintra e passava os fins-de-semana com os bichos. Tinha uma relação óptima com o meu irmão mais velho.
- Qual o seu maior sonho profissional e pessoal?
- Só faço projectos a curto prazo, não me consigo projectar muito no futuro. A curta experiência de vida ensinou-me a não premeditar muito. Hoje sou actriz mas amanhã posso ser empresária. Gostava muito de ter uma empresa relacionada com as energias renováveis ou tirar um curso de Engenharia do Ambiente. Isto é um sonho que está longe de vir a ser concretizado mas que não afasto dos meus horizontes. Em termos pessoais, gostava de ganhar a serenidade que no outro dia vi na Eunice Muñoz a receber um prémio. Gostava de ter essa serenidade quando for mais velhinha e de ganhar essa paz, essa visão do Mundo sem ser a 1500 à hora, que é como me vejo agora.
IMAGEM
- Vidas TV – Gosta de se ver na televisão?
- Carla Chambel – Sim, gosto de ver-me na televisão.
- Tem algum tique?
- Costumo meter a mão atrás do pescoço quando estou desconfortável.
- O melhor momento da sua carreira?
- O primeiro trabalho em teatro foi um momento muito alto.
- E o mais embaraçoso?
- Nesse trabalho, o João Perry (encenador) pediu às pessoas que se apresentassem: “Sou a Carla Chambel, tenho 18 anos e não gosto de encenadores.” (risos)
- Gosta de ser reconhecida na rua?
- Gosto, porque na maioria das vezes as pessoas são muito agradáveis.
- Uma referência na nossa televisão?
- Admiro a Alexandra Lencastre e a Catarina Furtado.
- O que gosta de ver na nossa televisão?
- Desenhos animados, documentários e séries.
PERFIL
Carla Sofia Dias Chambel nasceu a 30 de Novembro de 1976 na Amadora, onde passou a infância e adolescência. Tem um irmão mais velho ligado ao ensino da música. Concluiu o Curso de Formação de Actores da Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa.
Estreou-se na peça ‘A Disputa’, no Teatro da Trindade, sob a direcção de João Perry (1995). No cinema destaca-se a participação no filme ‘98 Octanas’, de Fernando Lopes (2006). Em televisão, integrou o elenco das séries da RTP ‘A Ferreirinha’, ‘João Semana’, ‘Pedro e Inês’ e ‘Até Amanhã, Camaradas’ (SIC). Em 2006 participou na série da SIC ‘Jura’. Depois foi a ‘Vera’ na novela ‘Vingança’ e actualmente é protagonista em ‘Resistirei’.
Fonte: Correio da manha
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